Entrevista: DEPUTADO PAULO RAMOS
25. fevereiro 2010 | Por nira | Categoria: ENTREVISTAQue analise o senhor poderia fazer da Assembléia no ano de 2009?
Na verdade a Assembléia Legislativa, em função da maioria constituída pelo governo, não tem sido um ambiente favorável ao servidor público. O atual governo do estado não virou as costas somente para o servidor público, virou as
costas para o serviço público de um modo geral, não obstante todos os compromissos que assumiu durante a campanha eleitoral. Imaginar que os servidores da saúde não têm seu plano de carreira implementado e que foi compromisso de campanha; também imaginar que vários servidores públicos até hoje não receberam qualquer reajuste e ainda estão com vencimento base de 1998.Então a Assembléia Legislativa precisa de uma renovação muito grande para que o servidor tenha muito mais força. Uma minoria luta, uma minoria prestigia o servidor, pressiona o governo, mas as conquistas são muito pequenas.
O senhor presidiu a Comissão dos Servidores Públicos na Alerj entre 1999 e 2002. Quais foram os grandes problemas enfrentados na sua presidência e como o servidor é tratado nos dias atuais?
Eu presidi a Comissão de Servidores Públicos durante seis anos e ainda a integro. Estou a 12 anos na Assembléia Legislativa – três mandatos como deputado estadual e dois como deputado federal na luta pelos planos de cargos e carreiras e salários. Os planos foram conquistados a duras penas, mas não representou melhorias precisas em termos de remuneração para o servidor.
Acredito que esses últimos anos não têm sido bons para o servidor público, para o serviço público e nem para a população de modo geral. Mas a luta continua. O ano de 2010 é importante porque vai possibilitar que o servidor avalie sua situação, o que ele tem enfrentado, e quais são as bancadas que votam a seu favor.
Este ano temos eleições. Como o servidor eleitor vai avaliar quais as bancadas que votam contra eles?
É preciso que as entidades representativas esclareçam ao servidor o sentido do seu voto para escolha de um candidato. Tem gente que pensa que quando vota em alguém que não se elegeu, que jogou o voto fora. O servidor tem de saber que quando ele vota num candidato a deputado, por exemplo, o que ele está dizendo com o seu voto é que ele prefere dentre os candidatos daquele partido, que aquele no qual está votando ,seja o eleito. Porque o voto dele pode eleger o candidato no qual ele votou ou ajudar a eleger outro do mesmo partido. O voto nunca é jogado fora.
Quando chega a eleição, vários servidores saem candidatos por partidos cujas bancadas, historicamente, votam contra o servidor. Votar em um colega da repartição ou conhecido, que não é eleito, vai ajudar a eleger alguém que quando tiver o mandato vai votar contra o servidor. Então, primeiro, escolha o partido. Vá ao partido cuja bancada vota com o servidor e dentre os candidatos daquele partido escolha um, porque o seu voto poderá eleger aquele que com o mandato vai votar de acordo com as suas reivindicações.
Qual a mensagem que o senhor daria aos eleitores?
O povo do Rio de Janeiro, a começar pelos servidores públicos, tem que se posicionar. O servidor público tem que assumir a vanguarda da campanha eleitoral para eleger um governador que possa ter compromisso verdadeiro com a população. Eu estou convencido de que existe um sistema que se utiliza dos órgãos de pesquisa, dos meios de comunicação, de modo a apresentar à população a versão antecipada de quem vai ganhar e quem pode ganhar as eleições. Então, os outros candidatos que se apresentam não são sequer avaliados, porque já estão condenados a perder, e a população acaba optando entre os candidatos que são preferenciais dos meios de comunicação, dos órgãos de pesquisa do poder econômico.
