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VOCÊ CONHECE A DIFERENÇA ENTRE INCIDENTE E ACIDENTE? Por Jacques Sherique

Esta semana quando eu estava assessorando uma empresa a responder uma lista de verificação sobre a implantação do seu Plano de Gestão de Segurança e Saúde, fui indagado em determinado momento por um dos seus dirigentes, o que seria um incidente. Ele queria saber com certeza qual é a diferença entre um incidente e um acidente.

Um “incidente” pode ser definido como sendo um acontecimento não desejado ou não programado que venha a deteriorar ou diminuir a eficiência operacional da empresa.

Do ponto de vista prevencionista, um “acidente” é o evento não desejado que tem por resultado uma lesão ou enfermidade a um trabalhador ou um dano a propriedade.

Ao adotarmos as providências necessárias para prevenir e controlar os incidentes, estamos protegendo a segurança física dos trabalhadores, equipamentos, materiais e o ambiente.

A eliminação ou o controle de todos os incidentes deve ser a preocupação principal de todos aqueles que estiverem envolvidos nas questões de prevenção de acidentes ou controle de perdas.

Portanto, os incidentes podem ou não serem acidentes, entretanto todos os acidentes são incidentes.

Entendido o significado do conceito acima, é que poderemos dar início aos processos de controle de todas as causas e origens dos incidentes e dos acidentes.

Outro conceito que deve ser fixado, é que os incidentes podem ser classificados como “quase acidentes” e não os acidentes com danos a propriedade ou com lesões leves não incapacitante.

Em 1969 o Inglês Frank E. Bird Jr., Diretor de Segurança de Serviços de Engenharia da Insurance Company North America elaborou um completo estudo de acidentes, no qual ele despendeu mais de 4.000 horas de pesquisa, analisando mais de 1.750.000 acidentes informados de aproximadamente 300 empresas, totalizando mais de 3 bilhões de horas-homens de exposição ao risco de 21 grupos industriais diferentes.

Do estudo dos acidentes relatados, surgiram as seguintes proporções, que se tornaram conhecidas como a “Piramide de Frank Bird”.

  • 600 Incidentes que não apresentaram lesões ou danos visíveis.
  • 30 Acidentes com danos à propriedade.
  • 10 Lesões leves não incapacitantes.
  • 1 Lesão Séria ou Incapacitante.

Estou levantando o assunto neste artigo, em função dos recentes “acidentes” ocorridos seguidamente com uma grande empresa de capital brasileiro, que é reconhecida nacional e internacionalmente, pelo seu elevado padrão tecnológico além de contar  nos seus quadros com profissionais altamente especializados e competentes.

Entretanto, acredito que a direção da referida empresa tenha se deixado influenciar pela pressão da mídia e da sociedade como um todo,  na análise e avaliação dos acidentes ocorridos, gerando como uma das providências preventivas/corretivas a substituição de gerentes, e no caso do último acidente ocorrido em julho, o desligamento de 4 empregados além da punição de outros 8 gerentes.

Um Diretor da empresa declarou que o motivo da punição foi pelo fato dos empregados não terem cumprido as normas da empresa e cometerem falhas na operação.

Já o Diretor da Federação que representa os trabalhadores, considerou arbitrárias as punições e acusou a empresa, dizendo que os acidentes foram conseqüência da redução de pessoal, do acúmulo de trabalho e da falta de investimentos na segurança.

As causas dos acidentes podem ser determinadas e controladas através do conhecimento e análise dos seguintes sub-sistemas: Pessoal; Equipamento; Material e Ambiente.

A empresa classificou como causa principal do acidente a “falha humana”, entretanto todos sabemos que os fatores pessoais que dão origem às falhas humanas explicam por que as pessoas não atuam como deveriam.

Ficando no ar a seguinte pergunta: Por que os procedimentos operacionais, sistemas de comunicações, equipamentos e válvulas  de segurança não foram eficientes para neutralizar as falhas humanas como deveriam, deixando que um incidente se transformasse em um grande acidente?