A esperança continua

9. junho 2010 | Por nira | Categoria: ARQUIVO, DESTAQUES

Chegamos ao meio do ano, e nesse período, entre 11 de junho e 11 de julho, ocorre a Copa do Mundo na África, evento que provoca a concentração do povo brasileiro e de vários países em torno da maior competição esportiva – o futebol. E o Brasil sendo uma das forças maiores dessa modalidade, é a grande atração dos brasileiros que, distraídos com o evento, não prestam atenção para outras questões importantes de ordem social e econômica que estão abalando nosso país, além do fato de estarmos em pleno ano político.

É certo de que o governo Lula tem feito uma campanha social muito positiva, coisa que não estamos presenciando na área econômica que vem deixando o brasileiro meio assustado, porque nunca a dívida interna do Brasil foi tão grande como é no momento.

Outro fato que nos preocupa é a questão das entidades de servidores não terem um plano efetivo de mobilização para fazer um quadro de funcionários do estado. Porque já tivemos no passado o plano de carreira que começava do nível elementar até o nível superior, onde os cargos comissionados tinham situações definidas; e não é como é nos dias de hoje, que não se tem planos de cargos e, sim, gratificações variadas por órgão e por setores, para as mesmas atividades.

Isto não leva a nada, porque para se ter um servidor público cada vez mais qualificado é preciso ter o princípio da igualdade que se faz através de uma separação natural pelas suas atividades. Nesses últimos 20 anos em nosso país, praticamente, só vimos a destruição do serviço público, onde não houve concurso e nem renovações, apesar de a arrecadação do estado ser maior. Não dá para entender isso. Nós tínhamos um serviço de funcionários públicos em nosso estado que era invejável e servia como tambor de ressonância nacional. E hoje o estado do Rio de Janeiro encontra-se fragmentado. Isso é lamentável.

Por isso a FASP-RJ vive atenta a esses problemas. São reivindicações de todas as formas. Nós não queremos politicagem dentro do quadro funcional. Nós queremos quadro funcional responsável com dirigentes responsáveis. Mas como vamos exigir isso se a primeira coisa que nossos governantes fazem ao adentrar em seus cargos é trazer os afilhados, os protegidos, os parentes, e não os funcionários de carreira. Além disso, há muitos trabalhadores terceirizados e temporários exercendo funções historicamente desempenhadas por funcionários de carreira. O Brasil é um país que tem que crescer em todos os sentidos e isso só poderá acontecer com um país forte, quando tiver um serviço público cada vez mais qualificado, fato que não vem ocorrendo nos últimos tempos.

Companheiros, precisamos lutar cada vez mais para que isso aconteça. Nós temos uma responsabilidade enorme daqui a quatro anos, quando o Brasil sediar a Copa do Mundo 2014 e vir a ser, portanto, a atração dos holofotes do mundo inteiro. E, dois anos depois teremos as Olimpíadas na cidade do Rio de Janeiro. Quantas coisas precisam ser feitas para não repetirmos o que aconteceu na África do Sul, quando, prestes da inauguração da Copa, cem mil pessoas trabalharam para tentar entregar aquilo que já deveria estar pronto há um ou dois meses. São coisas assim que nós não podemos repetir, porque nós temos uma tecnologia um pouco mais avançada.

Em razão disso é que eu sempre digo que precisamos criar um serviço público cada vez mais forte para que os cidadãos desse país e dessa cidade tenham a certeza de que tendo um serviço público de qualidade está garantido um princípio da nacionalidade, que tem que ser alcançado através de seus agentes diretos, e não daqueles que vêm de fora para dentro.

Essa é a mensagem que eu gostaria de fazer nesse momento da Copa do Mundo que tem o Brasil entre os favoritos. Que todos torçam muito para que nosso país seja campeão, mas que tenham também a fé em Deus que o Brasil vai melhorar, porque vamos saber trabalhar nas eleições para colocar pessoas competentes e que tenham responsabilidade e consciência para com o serviço público.

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